
Cíntia Veiga e Nayara Silva
Quantas vezes se ouve de familiares, colegas, amigos e até mesmo professores que engenharia é “curso de homem’’? O fato é que, na Unicamp, a predominância masculina nos cursos é grande. Segundo dados da Comvest (Comissão Permanente para os Vestibulares), os cursos de Engenharia de Computação, de Controle e Automação e de Mecânica são os campeões. Cerca de 90% dos alunos são do sexo masculino. Já em Engenharia Química, o número é mais balanceado: 55% dos ingressantes são homens. Em Engenharia de Alimentos, a estatística é o inverso: 80% são mulheres.
Devido a esse mito, o Blog da UPA quis saber a opinião de alunos, professores e estudantes que desejam concorrer a uma vaga na Unicamp sobre esse assunto. Cíntia Veiga, de 17 anos, vai prestar vestibular na Unicamp neste ano para o curso de Engenharia Elétrica, e não se diz intimidada pela escolha. “Faço técnico em eletrônica, e por isso, já tenho um bom conhecimento da área, o que me motivou ainda mais a cursar Engenharia Elétrica”. Para ela, muitas mulheres não se interessam pela área por causa do preconceito. “Em indústrias, por exemplo, o pré- requisito para concorrer a algumas vagas de engenharia é ser do sexo masculino.” A amiga de Cíntia, Nayara Silva, de 18 anos, também vai prestar Engenharia, só ainda não se decidiu por qual. “Minha mãe ficou meio apreensiva quando disse que ia prestar Engenharia, mas meu pai me deu total apoio”.
Os estudantes de Engenharia Elétrica e Computação, Juany Souza, Renan William e José Américo Freitas confirmaram as estatísticas: na sala de José, de 99 alunos, apenas 9 são mulheres, e na de Renan, de 70 alunos, 10 são mulheres. “Por experiência própria, as mulheres agregam bastante à equipe, porque mantêm o grupo coeso. A tendência de um grupo formado só por homens é se desintegrar mais rápido do que quando há mais mulheres”, diz Juany.
Para o professor José Vicente D’Angelo, da Faculdade de Engenharia Química, a faculdade que possui o número mais equilibrado entre homens e mulheres ingressantes (55% do sexo masculino), as mulheres se interessam mais por essa engenharia por conta do mercado de trabalho mais abrangente. “Por exemplo, na Engenharia Mecânica, uma das que possui menos mulheres ingressantes, isso ocorre porque é um setor mais pesado e que tem um pouco de resistência à contratação de mulheres. A área da Engenharia Química possui uma maior quantidade de indústrias, e por isso, uma aceitabilidade maior”. Mas o professor afirma que nem sempre o curso atraiu tantas pessoas do sexo feminino. Em sua sala de graduação, havia apenas três mulheres. Ele afirma que esse fenômeno é recente: de 15 anos para cá o número aumentou gradativamente.
O desconhecimento sobre a grade de disciplinas dos cursos de engenharia também contribui para que as mulheres não considerem a carreira como uma opção. A estudante Maria Laura Silva, de 14 anos, disse que não cogitou prestar Engenharia Mecânica, pois teria que “lidar com carros”, trabalho braçal, e que por isso, prefere Engenharia Química. O estudante de Engenharia Mecânica, Felipe Eduardo Mayer, desmistifica: “O curso de Engenharia Mecânica é muito teórico, nós quase não temos que lidar com trabalhos mais pesados e práticos”.
Texto: Mariana Ceriani
Fotos: Carolina Grohmann

Maria Laura Silva

Juany Souza, Renan William e José Américo Freitas

Juany Souza, Renan William e José Américo Freitas

José Vicente D'Angelo
setembro 5th, 2011 | Categoria:Sem categoria | Comentários desativados